quarta-feira, 4 de maio de 2016

Os signos do Zodíaco

Quando terminei o meu curso consegui, como já referi, fazer parte de um Plano de Abastecimento de Água ás povoações rurais do Nordeste Transmontano.
Mas antes de iniciar o meu trabalho em Bragança tive de realizar um estágio nos Serviços de Salubridade em Lisboa que durou três meses.
Aí, na capital, conheci um meu colega, também do norte, que estava colocado nos referidos Serviços de Salubridade com quem acamaradei. Esse meu colega, um pouco mais velho do que eu, solteiro era um grande apreciador de música sinfónica o que me levou, acompanhando-o,  a assistir a diversos concertos de música clássica.
Também apreciava ouvir palestras culturais de vária ordem e por essa razão me convidou a frequentar a Sociedade de Geografia e outros centros culturais a fim de assistirmos a diversas conferências.
Era um indivíduo singular, não se deixando envolver nos problemas da vida quotidiana, parecia viver nas nuvens.
A dada altura da minha estadia em Lisboa passei também a acompanhá-lo às refeições numa casa particular que ele frequentava na Alameda D. Afonso Henriques, próximo do Instituto Superior Técnico e do Instituto Nacional de Estatística. Essa casa recebia diversos comensais que tinham por hábito reservar as suas próprias mesas para si e para quem os acompanhasse.  
Esse meu colega tinha por companheiro às refeições um técnico do referido Instituto Nacional de Estatística, organismo que funcionava num edifício muito próximo daquele que frequentávamos, como já referi. Passei também eu a fazer parte da mesa deles. E não tardei de ouvir dos dois constantemente a afirmação que as alterações dos seus temperamentos, as suas boas ou más disposições, os seus dias de sorte ou de azar, os seus amores e desamores eram praticamente idênticos nas mesmas alturas porque eram gémeos.
Eu cheguei a cansar-me de os ouvir sobre as semelhanças que diziam acontecer nos seus comportamentos em determinadas épocas do ano. Até que num certo dia o meu colega surpreendeu-nos com a abertura de uma garrafa de champanhe que tinha trazido. Disse-nos que fazia anos e por isso nos convidava a beber uma taça com ele.
- Anos ?! - interrogou com admiração o técnico de estatística. - Não, não pode fazer anos hoje.
- Essa agora,  retorquiu-lhe o meu colega. Nasci exactamente nesta data, por isso faço hoje anos.
- Então se faz hoje anos, não é gémeo - retorquiu-lhe o outro.
- Não sou gémeo ? Essa agora ! Isso é que sou, porque tenho um irmão que nasceu na mesma altura que eu.
Perante esta troca de palavras entre os dois não pude reprimir a enorme vontade de me rir e soltei uma estrondosa gargalhada.
Afinal um era do signo dos gémeos enquanto o outro era gémeo porque tinha um irmão nascido na mesma altura que ele.
Nunca mais esqueci que sendo de signos do Zodíaco diferentes como pôde ser a vida dos dois tão igualmente influenciada pela trajectória do sol, das constelações e dos astros.
Desde essa altura nunca mais acreditei na infabilidade dos signos do Zodíaco.

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